Pode-se prometer ações, mas não sentimentos, pois estes são involuntários. Quem promete amá-lo sempre ou odiá-lo sempre ou ser-lhe fiel, promete algo que não está em seu poder; o que pode perfeitamente prometer são ações que, na verdade, são geralmente as consequências do amor, do ódio, da fidelidade, mas que também podem provir de outros motivos, pois uma só ação conduzem diversos caminhos e motivos.
A promessa de amar alguém sempre, siginifica, portanto: enquanto eu te amar, te mostrarei as ações do amor; se não te amar mais, continuarás no entanto a receber de mim as mesmas ações, embora por outros motivos; de modo que na cabeça dos outros persiste a aparência de que o amor estaria inalterado e sempre o mesmo.
Promete-se, portanto, a persistência da aparência do amor, quando, sem deslumbrar-se a si mesmo, se jura a alguém amor eterno.
Humano, Demasiadamente Humano
pg. 71
Nietzsche
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